Quarta-feira, 1 de Julho de 2009
Quarta-feira, 17 de Junho de 2009
Tunísia, mais um emergente?

Novas formas econômicas vêm se tornando visíveis, com derivações distintas. Com o momento de crise econômica global com efeitos previamente desconhecidos, mas agora mais claramente definidos como os de qualquer outra crise econômica já ocorrida, parece facilitar a vida dos economistas em sua missão de nos salvar do caos.
Como animais que somos, buscamos escapar desesperadamente do desconforto da incerteza sobre nossa existência, assim se torna clara a busca por algo novo no que se trata das relações sociais e econômicas, ou seja, como estabelecemos e conduzimos novos e antigos negócios.
Há anos se vê um movimento de empresas transferindo seus call-centers para países emergentes, o que é novidade são os pólos de conhecimento nascentes em países nada conhecidos como a Tunísia, o país mais aberto do Mundo Árabe, assim considerado pelo Fórum Econômico Mundial de 2008 ocorrido na África. A Tunísia vem demonstrar que algo completamente novo cresce, e leva empresas e governos de países "esquecidos" a inovarem conforme suas capacidades de investimento em educação, pesquisa e desenvolvimento, dessa forma, em pequenas doses, porém impactam com proporções variáveis em economias desenvolvidas, neste caso, a França, que perde investimentos de suas próprias empresas para países como esse que comumente tem mão-de-obra tão qualificada quanto, falando francês e bem mais barata.
Foto: Céu de Tunis, capital da Tunísia. Fonte: Wikipedia.
Quinta-feira, 4 de Junho de 2009
Tudo que é vivo, nasce, cresce e morre
Sexta-feira, 22 de Maio de 2009
Quinta-feira, 9 de Abril de 2009
Lei antifumo?
Eu não fumo, ninguém da minha família fuma, poucos dos meus amigos fumam e acho o cigarro terrível pelos tipos de doenças que causa. Mas a "lei antifumo" de São Paulo é na realidade uma "lei antifumante" e isso não está certo.
A lei faz parte de um grande movimento global contra o tabagismo, mas a lei que proíbe o fumante de fumar em locais fechados, até mesmo nos "fumódromos", restringe o trânsito de fumantes nos seus locais de trabalho e nos lugares preferidos de sua diversão, isso reduz a nada o seu direito de ir e vir como é, um consumidor viciado em nicotina. Ninguém nasce fumando, é uma opção que vicia. A educação básica, quase inexistente no Brasil, não ensina os malefícios do tabaco e outras substâncias, começar por aí, pelo jeito, dá muito mais trabalho.
Engana-se quem acha que a lei quer beneficiar os fumantes passivos a voltarem para casa com suas roupinhas cheirosas e não morrerem de câncer porque existe um ser malígno a pitar ao seu lado. A lei quer reduzir a pó o consumo de tabaco, mas problemas não se resolvem assim, o que virou moda no Brasil desde a lei da "Cidade Limpa" em São Paulo. Incapaz de fiscalizar e regulamentar, o Estado simplesmente proíbe, em um tom quase totalitário.
Coitada da democracia.
Segunda-feira, 9 de Março de 2009
A menina de Pernambuco
Quinta-feira, 19 de Fevereiro de 2009
O único que se mata
- Antônio Francisco Gonçalves Filho! – dei um berro como polícia chamasse bandido à cela de cadeia.
- Minha querida amiga! – surpreendeu-se.
- Há quantas anda, "cabra velho"?
- Muy bien. – brincou de falar espanhol numa voz baixa.
Há muito que não sabia dele, um cara desses que sofreu na escola. Criança é cruel. Não perdoa nada, nem pai pobre, nem mãe morta, nada. Se você é menino adotado então, isso não tem moleque que deixe de tirar sarro. Era claro que não era filho de sangue dos pais, a semelhança não existia em nada, nem na parte branca dos olhos.
Eu e Gonçalves estávamos juntos sempre, desde o meu primeiro dia de escola, quando vim de Lagos, depois de papai trabalhar por três anos e meio em uma obra daquelas, eu falava português porque era o que se falava em casa, mas peguei sotaque, o francês tem fonemas malvados. Brincavam comigo também, mas nada comparado ao volume de sacanagens com ele.
O chamam "Gonçalves" pelo seguinte: não sei que se passou naquela década passada que tinha feito um menino chamado Antônio Francisco para cada cinco. Tinha o "Figueira", o "Lucindo" e o "Hockmann", todos na mesma sala. Este último de sobrenome alemão era de Recife, chato como o que, mas daqueles chatos bobos, que não se misturavam por nada, foi esquecido.
- E você tem notícia dos outros meninos? Sempre lhe pergunto isso...
- Só sei de Hockmann, mora em Buenos Aires, vive com uma argentina.
Tudo bastava para as piadas, até do sobrenome gozavam: "Gonçalves só de nome", porque era só de nome mesmo. Sendo sempre assim, por fora de tudo, até no clube, ambiente repugnante que sempre me deu calafrio de todo tipo, era excluído porque não era puro sangue.
Isso moldou um homem diferente. Já se sabe que beleza compra tudo, quem é realmente bonito e popular não precisa de esforço para ser aceito. Gonçalves não tinha problema com beleza, mas com popularidade, não pertencia a nada. Nem à sua família com o sangue, nem ao grupo escolar, nem ao banho de piscina no clube.
Ele estudava mais que todos, quando adolescente, namorou Andréa, uma ruiva lindíssima, filha de intelectuais que o trocou por um surfistinha de merda bem no fim do terceiro ano. Gonçalves não foi ao baile de formatura por isso.
Logo que saiu da escola, fez dois meses de Escola Técnica, mas logo largou. Seu pai o propôs uma ida aos Estados Unidos para fazer a faculdade lá. Formou-se em Ciências Contábeis pela Universidade de Chicago e voltou. Abriu uma banca de contadores aqui e logo se transformou no contador de muita empresa e de gente rica. Investe em gado leiteiro hoje e ganha bastante dinheiro com isso.
- Gonçalves, se fica rico tratando funcionário como boiada ou se trata funcionário como boiada porque se fica rico? – perguntei quase gargalhando.
- Olha, querida, o perigo desse seu pensamento é analisar uma situação de forma burra. Eu sempre que vejo aqueles catadores de laranja na beira da estrada penso em algo parecido com isso. Mas hastear uma bandeirola vermelha, ou de qualquer cor que lembre a União Soviética, é uma tacanhice de primeira. Os problemas não se resolvem assim, ainda mais coisas que envolvem o ser humano, bicho bem mais complexo que boi e o único que se mata.
E o avô dele havia se matado. Lembro da notícia chegando na escola quando a mãe dele o foi buscar uns quinze minutos depois do recreio.
Foi menos de meia hora de conversa, sem nenhum afeto, nem parecia amizade.
Entrei na pizzaria.
- Boa noite, senhora. Uma grande, meio calabresa com cebolas e meio quatro queijos, por favor.


